Ilustração mostrando Marina Abramović interagindo com pedras em galeria, referência à performance art contemporânea

O que é Performance Art?

Performance Art é uma forma de arte em que o corpo do artista é o principal meio de expressão, realizada ao vivo diante do público e centrada na ação, no tempo e na experiência.

Diferente da pintura ou da escultura, ela não depende de um objeto físico permanente, mas do acontecimento em si.

Essa linguagem artística ganhou força no século XX e se consolidou na arte contemporânea, especialmente a partir dos anos 1960. Muitas performances abordam temas como identidade, política, gênero e limites do corpo.

Em termos simples: performance art é arte como ação.

O que caracteriza a Performance Art?

A Performance Art possui elementos específicos que a diferenciam de outras linguagens artísticas.

Os principais são:

Uso do corpo como linguagem

O corpo do artista é o centro da obra. Gestos, movimentos, silêncio e resistência física fazem parte da expressão.

Acontece ao vivo

A performance ocorre em tempo real. O público presencia a ação no momento em que ela acontece.

Ênfase na experiência

O foco está na vivência, não na criação de um objeto. Muitas vezes, o que permanece são registros em vídeo ou fotografia.

Pode envolver o público

Algumas performances convidam a participação direta da plateia, tornando o espectador parte da obra.

Não é teatro tradicional

Embora também aconteça ao vivo, a performance não segue roteiro dramático convencional nem busca entretenimento narrativo.

Essas características mostram que a performance art é menos sobre produto final e mais sobre ação, presença e significado.

Quando surgiu a Performance Art?

A Performance Art começou a se consolidar no século XX, especialmente a partir das vanguardas europeias.

Movimentos como o Dadaísmo já utilizavam ações ao vivo como forma de provocar o público e questionar a arte tradicional.

Nos anos 1950 e 1960, a linguagem ganhou força com os chamados happenings, organizados por artistas como Allan Kaprow, que defendia a ideia de arte como experiência e não como objeto.

Nesse período, a performance passou a dialogar com a arte conceitual, priorizando a ideia e a ação.

A partir da década de 1970, artistas como Marina Abramović levaram o corpo ao limite físico e emocional, ampliando o alcance da performance art no cenário da arte contemporânea.

Assim, a performance surge como resposta à arte tradicional e se consolida como uma das linguagens centrais da produção artística pós-1960.

Exemplos famosos de Performance Art

Algumas performances se tornaram referência na história da arte contemporânea. Veja três casos importantes:

Marina Abramović: The Artist Is Present (2010)

Marina Abramović sentada diante de visitante em mesa simples durante a performance The Artist Is Present no MoMA.

No Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), Abramović permaneceu sentada em silêncio por horas, encarando visitantes um a um. A obra explorava presença, resistência e conexão humana.

A performance durou quase três meses e exigiu grande esforço físico e emocional da artista.

O silêncio e o olhar direto criavam uma experiência intensa, mostrando como a performance pode transformar um gesto simples em reflexão profunda sobre tempo e vulnerabilidade.

Allan Kaprow: Happenings (anos 1950–60)

Joseph Beuys envolto em manta interage com coiote em galeria durante performance I Like America and America Likes Me.

Kaprow organizava eventos em que o público participava de ações inesperadas. Para ele, a arte deveria se misturar à vida cotidiana.

Esses acontecimentos não seguiam roteiro fixo e muitas vezes aconteciam em espaços comuns, como galpões ou ruas.

A proposta era romper a separação entre artista e espectador, tornando a experiência coletiva parte essencial da obra.

Joseph Beuys: I Like America and America Likes Me (1974)

Participantes em ação coletiva sobre pneus durante happening de Allan Kaprow nos anos 1960.

Beuys passou dias em uma galeria convivendo com um coiote, refletindo sobre política, cultura e identidade nos Estados Unidos.

Durante a performance, ele manteve contato mínimo com o exterior e usou objetos simbólicos, como feltro e bastão.

A ação discutia tensões históricas e sociais, reforçando a ideia de que a performance pode funcionar como comentário político.

Performance Art é arte contemporânea?

Sim. A Performance Art é considerada uma das linguagens centrais da arte contemporânea.

Isso porque ela rompe com a ideia tradicional de obra como objeto permanente e valoriza ação, conceito e experiência. Em vez de produzir uma pintura ou escultura, o artista cria um acontecimento.

Além disso, a performance dialoga com temas típicos da produção pós-1960: identidade, política, gênero, corpo e crítica social.

Vale destacar um ponto importante: performance não é teatro. No teatro, há roteiro, personagens e encenação dramática.

Na performance art, o foco está na ação como linguagem artística, muitas vezes sem narrativa linear.

Por essas características, a performance se consolidou como uma forma de arte alinhada às transformações culturais e estéticas do século XX.

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