Cultura de massa

Entenda o que é cultura de massa

Com a chegada da industrialização e a ascensão do capitalismo moderno, tem-se o surgimento da concepção de cultura de massa.

Assim como a produção de bens de consumo começou a se dar em larga escala, a cultural também passou por este mesmo processo.

Com isso, vários estudiosos passaram a analisar as implicações desse fenômeno social.

O que é cultura de massa?

É muito comum que o conceito de cultura de massa seja confundido com o de cultura popular.

Entretanto, apesar de ambos remeterem à ideia de quantidade, a produção cultural em cada um dos casos, vai implicar em características ideológicas e políticas muito distintas.

Muitas vezes criticada e considerada de baixa qualidade, a cultura popular é marginalizada. Já a cultura de massa reproduz uma lógica hegemônica.


Da história a origem do conceito

As razões históricas para o crescimento da cultura de massa desde o início de 1800 são bem conhecidas.

A democracia política e a educação popular derrubaram o antigo monopólio da cultura da classe alta, o que acarretou numa das maiores mudanças trazidas pela cultura de massa na sociedade.

Ela trouxe, principalmente, uma profunda transformação dos consumidores em reprodutores de consumo e um mesmo padrão de vida.

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Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, sobretudo nos Estados Unidos, houve ascensão do modelo fordista de produção. Com isso a cultura de massa chegou a diversos setores da sociedade.

A partir disso, as empresas encontraram um mercado lucrativo nas demandas culturais de massas recém-despertadas.

Da mesma formal, o avanço da tecnologia tornou possível a produção barata de livros, quadros, jornais, música e móveis, em quantidades suficientes para satisfazer esse mercado.

Com isso, a tecnologia moderna também criou novas mídias de acesso, como o cinema e a televisão, que eram especialmente pensados para a manufatura e distribuição em massa.

O fenômeno é, portanto, peculiar aos tempos modernos e se difere radicalmente do que até então era conhecido como arte ou alta cultura.

Exemplos de Cultura de Massa

Alguns exemplos de Cultura de Massa são:

  • Novelas: São capazes de prender a atenção dos telespectadores, que ficam em frente a uma TV.
  • Shows: Milhares de eventos musicais que acontecem diariamente, em todo o mundo.
  • Espetáculos esportivos: Olimpíadas e Copa do Mundo da Fifa também são exemplos de cultura de massa.
Exemplo de cultura de massa
O cinema é um exemplo de produto da cultura de massa

Diferença entre cultura popular e cultura de massa

É muito comum que considerem os termos de cultura popular e cultura de massa como semelhantes. Entretanto, vale ressaltar que são conceitos totalmente diferentes.

O conceito de cultura popular engloba técnica (ainda que pequena), autenticidade e o uso de recursos que estão ao alcance da camada artística popular da sociedade.

Na contramão, temos a cultura de massa, que está pautada na geração de lucros e não tem a preocupação do próprio fazer artístico.

O que se espera com isso, é atingir os consumidores de modo que, não satisfeitos, eles queiram consumir ainda mais.

Uma diferença marcante entre a cultura de massa e a cultura popular é que, a cultura popular sempre é lembrada e revisitada, enquanto que a cultura de massa tem um curto prazo de validade. Sua importância é efêmera, instantânea.

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Cultura de massa e as contribuições teóricas

Alguns teóricos a distingam da cultura popular tradicional, porque o conceito de cultura de massa é orientado para a questão do lucro e organizado de acordo com as leis que regem a troca de mercadorias.

Entretanto, esse termo vem sendo usado desde a década de 1930 para se referir a produtos culturais julgados a partir das perspectivas do marxismo da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer, Benjamin).

Os pensadores e filósofos da Escola de Frankfurt eram caracterizados pelo pensamento crítico e altamente reflexivo a respeito da sociedade moderna.

Adorno e Horkheimer, principalmente, afirmavam que a Cultura da Massa tratava-se de um produto da Indústria Cultural e que a cultura em si, servia de base para a barbárie fascista.

Nesse sentido, diziam que a cultura que era produzida nos moldes capitalistas, e que buscava atender aos interesses exclusivos do mercado.

Esse pensamento foi influenciado pelo período, onde havia um ideal projetado na libertação do homem perante as opressões sociais, de modo que ele viesse a conquistar sua autonomia.

Na perspectiva do antimarxismo (Leavis), os produtos culturais eram comparados a alta cultura (que é relacionada a cultura da elite).

Isso pode ser visto como um privilégio de prazeres rotulados de estéticos e a depreciação daqueles que são “apenas entretenimento” ou banal.

A cultura de massa também é criticada por sua padronização.

Desde a década de 1950, os sociólogos, acompanhados desde a década de 1980 por críticos pós-modernos (por exemplo, Frederic Jameson), adotaram uma visão mais pluralista, embora alguns críticos vejam a globalização como algo que leva à homogeneização.

Ou seja, compreende-se que, aquilo que produz e mantém a hegemonia nas sociedades capitalistas, acaba permitindo que a classe dominante controle e pacifique as massas.

Adorno e Horkheimer
Theodor Adorno e Max Horkheimer foram os responsáveis pela criação do termo Indústria Cultural

Como funciona a Cultura de Massa?

O mercado vai buscar atender aos anseios do sistema capitalista. Com isso, se investe em produtos culturais em larga escala, para que pessoas não só comprem ou vendam, mas contemplem um estilo de vida relacionado a eles.

O consumismo é a lógica dominante do sistema capitalista, por isso, não há distinção de gostos estéticos ou um sentimento de individualidade.

A ideia de reprodução do consumo dos mesmos produtos é a que predomina. Ou seja, consumir produtos iguais é uma forma de se encaixar nesse padrão de vida.

A própria cultura entra como instrumento ideológico, para atender a lógica do consumo e disseminar um padrão de vida a ser seguido.

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Conclusão

Portanto, como vimos nesse artigo, os produtos culturais são produzidos em larga escala e para públicos em massa.

Os exemplos atuais já incluem novos formatos de entretenimento, como filmes, programas de televisão, livros populares, jornais, revistas, música popular, produtos de lazer, utensílios domésticos, roupas e arte reproduzida digitalmente.

Por essa via, a ideia em torno do conceito de cultura de massa está interligada ao que é temporário e que pode ser substituído facilmente por um novo produto cultural.

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